A abordagem das diferentes matizes do pensamento social brasileiro e mundial e das diversas compreensões sobre o processo saúde-doença-cuidado, ao longo da história bem como na contemporaneidade, tem sido o foco central do Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde. Seu marco de lançamento foi o I Encontro de Brasileiro de Ciências Sociais em Saúde, de 1993, transformado em Congresso dois anos depois. As demais Ciências Humanas foram incorporadas em sua terceira edição, em 2005, quando ampliou a abordagem temática, sempre em busca de uma perspectiva transdiciplinar e inovadora. A organização é feita pela Comissão de Ciências Sociais e Humanas em Saúde da Abrasco.

Este é um congresso construído com muita esperança e por muitas mãos, corpos e mentes de pesquisadore/as, estudantes, profissionais e gestores de saúde, ativistas e participantes de movimentos sociais que irão debater o campo da saúde coletiva pelo olhar singular das ciências sociais e humanas em saúde. Aproveitamos a potencialidade de um Brasil que se repensa e se reconstroi, depois de tanto retrocesso vivido e de tanto desmonte na sociedade em geral e na área da saúde, em particular, para, junto/a/es, arregaçarmos as mangas na direção de construir um país mais justo e mais saudável.

Acreditamos que o congresso é esse espaço de produção de um pensamento crítico, complexo e propositivo, mas também de indagações profundas e substantivas, nascidas de produções científicas da nossa área de conhecimento, as ciências sociais e humanas em saúde, que se aliam à diversidade de reflexões e evidências aportadas por saberes populares e epistemologias advindas de povos indígenas, povos negros, povos ciganos, entre outros, ou da experiência de profissionais da saúde e dos próprios usuários do SUS.

Em torno do tema: “Emancipação e Saúde: decolonialidade, reparação e reconstrução crítica”, pretendemos colocar em análise, a partir de nossas pesquisas e experiências concretas, processos de opressão que impactam negativamente a nossa vida e saúde, bem como as nossas práticas e relações sociais, com o objetivo de propor estratégias de enfrentamento e superação destas marcas e feridas ainda abertas, principalmente aquelas que se deixam ver através dos espaços/territórios da saúde, suas políticas, programas e práticas de cuidado e de existência.

Assumimos que um congresso, regido pelo princípio da ampla participação dos diversos e pelo reconhecimento da singular riqueza da produção das ciências sociais e humanas em saúde no campo da saúde coletiva, é propício para analisar os nossos desafios históricos e contemporâneos na produção dos processos de saúde-doença-cuidado-cura, para identificarmos as nossas necessidades (sociais) de saúde e para exercitarmos e darmos materialidade a experiências emancipatórias de decolonialidade, reparação e reconstrução que atuem na transversalidade do campo da saúde.

A Universidade Federal de Pernambuco e o Instituto Aggeu Magalhães abraçaram, com forte interesse e motivação, a construção deste congresso, acolhendo-o nos seus espaços vivos e férteis de ideias e de movimentos da comunidade acadêmica, o que fala muito desse novo momento brasileiro de revalorização das universidades públicas, da sua produção e da sua abertura à sociedade.

A cidade do Recife e o estado de Pernambuco também comparecem com sua força cultural, com o alumbramento das suas belezas e com a inventividade e a graça do seu povo para receber os que chegarão para o congresso.

Que o nosso encontro marcado em novembro seja fértil!

Saiba mais em https://www.abrasco.org.br/site/congressos-eventos/congresso-brasileiro-de-ciencias-sociais-e-humanas-em-saude/


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