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Campo Grande (MS) unifica prontuário e cria painéis de dados para fortalecer a Atenção Primária no SUS 

Por Observatório do SUS

Já está disponível o 3º episódio da série “Uso de Tecnologias Digitais no SUS: experiências e lições aprendidas”, que reúne entrevistas com gestoras e gestores municipais e apresenta experiências concretas de saúde digital no SUS, em municípios das cinco macrorregiões brasileiras. 

No episódio, a série destaca a experiência de Campo Grande (MS) em entrevista com Glória Araújo, enfermeira e coordenadora da Rede de Atenção Primária do município desde 2019. 

A conversa descreve um percurso de fortalecimento das capacidades locais de uso de dados na APS, estruturado em etapas: a adoção de um prontuário eletrônico único (PEC e-SUS APS), o desenvolvimento de ferramentas próprias de extração automatizada e a construção de painéis digitais para apoiar o cuidado e a gestão em tempo oportuno. 

Prontuário único, extração automatizada e painéis em diferentes níveis 

Glória relata que o ponto de partida foi reorganizar os sistemas de informação na APS. O cenário anterior, marcado pela coexistência de prontuários privados, CDS e PEC, dificultava a construção de histórico e a extração de relatórios. Como resposta, o município avançou na implementação do PEC e-SUS APS (ofertado pelo Ministério da Saúde) em toda a rede de APS, consolidando um prontuário único. 

Com a unificação, a equipe desenvolveu ferramentas próprias para extrair automaticamente dados do prontuário e, em seguida, construiu painéis digitais voltados a equipes, nível distrital e gestão central, ampliando a visualização e o uso cotidiano das informações. 

Registro qualificado na ponta como condição para inteligência de dados 

A entrevistada enfatiza que o uso efetivo dos dados depende da qualidade do registro. Por isso, a própria coordenação de APS conduziu uma estratégia de qualificação em serviço, aproximando-se progressivamente dos profissionais da ponta e criando espaços coletivos de construção para tornar as ferramentas mais aderentes às necessidades reais dos serviços, reduzir resistências e fortalecer uma cultura de uso de dados. 

Acompanhamento de gestantes e condições crônicas, análises mensais 

A extração local de dados ajudou a superar lacunas em relatórios disponíveis, especialmente no acompanhamento de gestantes, pessoas com diabetes e hipertensão, além do histórico de atendimentos. Com os painéis, as equipes passaram a analisar indicadores com frequência mensal, reconhecendo com mais precisão o perfil clínico-epidemiológico e vulnerabilidades dos territórios. 

Glória destaca que o acesso sistemático a esses dados favoreceu a reorientação do processo de trabalho e teve impacto direto na melhoria dos resultados do município em indicadores, ao antecipar decisões que antes dependiam dos ciclos quadrimestrais de monitoramento. 

Desenvolvimento local, telessaúde na pandemia e parcerias para sustentabilidade 

A experiência é caracterizada pelo desenvolvimento local de soluções digitais conduzido por servidores públicos de carreira da APS e da TI. A pandemia impulsionou a incorporação da telessaúde e evidenciou a necessidade de adequações de infraestrutura, como conectividade e aquisição de dispositivos, sobretudo em áreas rurais. 

Para ampliar a sustentabilidade da iniciativa, Campo Grande vem estabelecendo parcerias com universidades, integrando acadêmicos das áreas da saúde e da TI ao desenvolvimento de novas soluções e à formação em saúde digital, reforçando a APS como espaço estratégico no SUS e na saúde digital.


 

A série é uma realização do Observatório do SUS (ENSP/Fiocruz), em parceria com o projeto “Implicações das Tecnologias Digitais nos Sistemas e Serviços de Saúde”, da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030, vinculada à Presidência da Fiocruz por meio da Iniciativa Saúde Amanhã. 

As análises, avaliações e opiniões apresentadas são de responsabilidade exclusiva dos entrevistados e não expressam, necessariamente, a posição do Observatório do SUS (ENSP/Fiocruz) ou das instituições parceiras. 

A produção da série conta com recursos de emenda parlamentar da deputada federal Talíria Petrone.

Por Júlia da Matta e Gustavo Soibelman


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