Está no ar o 2º episódio da série “Uso de Tecnologias Digitais no SUS: experiências e lições aprendidas”, que reúne entrevistas com gestoras e gestores municipais e apresenta experiências concretas de saúde digital no SUS, em municípios das cinco macrorregiões brasileiras.
Neste episódio, a série destaca a experiência de Curitiba (PR) em entrevista com Tatiane Filipak, secretária municipal de Saúde do município.
A conversa mostra como um prontuário eletrônico municipal, construído e aperfeiçoado ao longo de décadas, sustenta um modelo de cuidado integrado e dá base para estratégias digitais que ampliam o acesso, qualificam filas e fortalecem a tomada de decisão na gestão e na rede de atenção.
Prontuário eletrônico municipal como eixo de integração do cuidado
Ao longo da entrevista, Tatiane destaca o prontuário eletrônico municipal e-Saúde como elemento estruturante da experiência de Curitiba. Desenvolvido pelo município desde 1999, com apoio do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI), o sistema está implantado em 100% da rede assistencial, abrangendo unidades da Atenção Primária à Saúde, ambulatórios especializados, Unidades de Pronto Atendimento e processos regulatórios. O prontuário concentra registros clínicos, resultados de exames e demais informações assistenciais, favorecendo o acompanhamento longitudinal e a integração da Rede de Atenção à Saúde.
Central Saúde Já, aplicativo e telemonitoramento distrital
A experiência inclui o desenvolvimento da Central Saúde Já e do aplicativo Saúde Já, que articulam diferentes ofertas digitais. O teleatendimento conta com equipe multiprofissional, com classificação de risco por enfermeiros segundo o Protocolo de Manchester e, quando indicado, teleconsulta médica síncrona. O aplicativo também permite agendar consultas e exames, acessar resultados, visualizar relatórios de vacinação, atualizar cadastro e resolver demandas administrativas, além de apoiar a participação em ações de prevenção.
Outro destaque é a implantação de centrais distritais de telemonitoramento voltadas ao acompanhamento de pessoas com condições crônicas e de gestantes, utilizando o prontuário eletrônico para verificar assiduidade a consultas e exames e adesão ao tratamento farmacológico, com busca ativa quando necessário. A entrevista também aborda o monitoramento de pessoas com diabetes com a adoção recente de glicosímetros conectados via bluetooth aos smartphones.
Telerregulação, teleconsultoria e apoio especializado na urgência
A entrevista aborda ainda estratégias de telerregulação e teleconsultoria, com modelos assíncronos na Atenção Primária e síncronos nas UPAs. Esses arranjos contribuem para a construção de “filas seguras”, com orientação de condutas aos profissionais da APS, redução de encaminhamentos e priorização de situações de maior gravidade. Em situações de urgência, Tatiane descreve ainda a teleorientação especializada, incluindo apoio em casos de urgência neurológica, ampliando a resolutividade e organizando fluxos assistenciais.
Gestão orientada por dados, vigilância e desafios de implantação
Tatiane destaca que o uso de painéis e ferramentas de BI (Business Intelligence) permite acompanhar serviços e organizar a rede em tempo real, apoiando processos de gestão com base clínico-epidemiológica, como planejamento da força de trabalho, reorganização de fluxos conforme sazonalidade de agravos e ações de vigilância. Entre os exemplos citados estão o monitoramento territorial da dengue e a automação de registros epidemiológicos a partir dos dados do prontuário. Ao mesmo tempo, a experiência evidencia desafios como cultura organizacional, letramento digital e desigualdades de acesso, reforçando a importância de comunicação e educação permanente.
Por fim, a entrevista aponta como perspectiva o avanço da interoperabilidade para além do município, fortalecendo a integração de dados em nível estadual e nacional.