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Especialistas analisam como a digitalização está transformando a gestão do SUS em Webinário  

Por Observatório do SUS

Os principais resultados do relatório Uso de Tecnologias Digitais na Gestão do Sistema Único de Saúde (SUS): experiências e lições aprendidas foram apresentados e debatidos em um webinário realizado no dia 5 de fevereiro de 2026, através do Canal da ENSP no YouTube. A atividade pode ser conferida na íntegra, assim como o relatório, disponível para leitura no site do Observatório do SUS (ENSP/Fiocruz). 

O encontro foi organizado pelo Observatório do SUS, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), em parceria com o projeto Implicações das Tecnologias Digitais nos Sistemas e Serviços de Saúde, da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030, vinculada à Presidência da Fiocruz por meio da Iniciativa Saúde Amanhã. O objetivo foi apresentar e discutir os principais aprendizados e recomendações da publicação.  

Paulo Gadelha, coordenador da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030 e ex-presidente da Fiocruz, destacou, em uma saudação de abertura, a centralidade da transformação digital para o futuro da gestão pública em saúde e sua articulação com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Para ele, a transformação digital é hoje um tema incontornável para o SUS: “Estamos tratando de uma questão essencial para a perspectiva contemporânea de futuro, que impacta diretamente a forma como o sistema é gerido e como a saúde se articula com a Agenda 2030 e o desenvolvimento sustentável”. 

Durante o webinário, os resultados do relatório foram apresentados pela Pesquisadora da ENSP/Fiocruz, Mariana Albuquerque. O texto sistematiza reflexões a partir de uma oficina realizada na Escola, que reuniu experiências municipais consistentes sobre o uso de tecnologias digitais na gestão do SUS e na Atenção Primária à Saúde. Segundo Mariana, o estudo evidencia que o uso da tecnologia digital precisa estar a serviço do cuidado e da equidade. “A construção coletiva de políticas, estratégias e soluções, com participação ativa de profissionais, gestores e usuários é o fator determinante para o sucesso da digitalização. A saúde digital deve ser guiada pela convicção de que a tecnologia é um direito social a serviço da vida”, afirmou. 

O webinário foi coordenado por Eduardo Melo, vice-diretor da Escola de Governo em Saúde da ENSP/Fiocruz e coordenador do Observatório do SUS, e contou com debatedores que aprofundaram os resultados apresentados. Participaram do debate Josélio Queiroz, representando Ana Estela Haddad, secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde; Rodrigo Gaete, da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS/MS); e Fernando Aith, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP. 

Para Eduardo Melo, compreender a digitalização representa uma dimensão central da gestão pública em saúde. “Fazer gestão do SUS hoje é muito mais complexo do que há 20 ou 30 anos, e a transformação digital é um dos elementos que exige novas competências e novas formas de organização do sistema”, destacou. 

Representando a Secretaria de Informação e Saúde Digital, Josélio Queiroz ressaltou os avanços recentes na estrutura nacional de dados em saúde. “Saímos de um cenário fragmentado para um processo integrado com a Rede Nacional de Dados de Saúde, que hoje já reúne bilhões de registros e se tornou o coração da transformação digital do SUS”, afirmou, destacando também o programa SUS Digital e o aplicativo Meu SUS Digital. 

Rodrigo Gaete enfatizou o papel estruturante da Atenção Primária nesse processo. “Já superamos a barreira da implantação do prontuário eletrônico em quase todos os municípios. Agora o foco é consolidar o uso dessas informações e garantir a interoperabilidade entre a APS e a atenção especializada”, explicou. 

Ao abordar os desafios éticos e regulatórios, Fernando Aith chamou atenção para a centralidade dos dados na era digital. “No mundo digital, dado é patrimônio e riqueza. Precisamos garantir qualidade, proteção e regras claras para que informações públicas de saúde não sejam usadas sem transparência ou retorno social”, alertou, defendendo, também, o fortalecimento do letramento digital da população. 

Voltado a gestores, profissionais de saúde, pesquisadores, estudantes e demais interessados, o encontro promoveu um espaço qualificado de diálogo sobre os impactos das tecnologias digitais na gestão do SUS, contribuindo para o fortalecimento de políticas públicas alinhadas aos princípios da universalidade, integralidade e equidade. 

Por Thathiana Gurgel  


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