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Recife integra canais digitais e interoperabilidade para ampliar o acesso e fortalecer a coordenação do cuidado no SUS

Por Observatório do SUS

Recife (PE) é o destaque do 4º episódio da série “Uso de Tecnologias Digitais no SUS: experiências e lições aprendidas”, que reúne entrevistas com gestoras e gestores municipais e apresenta experiências concretas de saúde digital no SUS, em municípios das cinco macrorregiões brasileiras. 

Neste episódio, a série destaca a experiência de Recife (PE) em entrevista com Gustavo Godoy, gerente-geral de Saúde Digital da Secretaria de Saúde da Prefeitura do Recife. 

A conversa apresenta a saúde digital no município como um conjunto articulado de iniciativas inseridas em uma estratégia municipal de governo digital, com a saúde integrada a um ecossistema intersetorial de serviços e soluções voltadas à ampliação do acesso, organização da demanda e fortalecimento da coordenação e longitudinalidade do cuidado. 

Acesso na APS: canais digitais, acolhimento e agendamento 
Entre as iniciativas, destaca-se o Conecta Recife, plataforma única de relacionamento com o cidadão em múltiplos canais (aplicativo, web e WhatsApp), que reúne serviços públicos e concentra grande parte das demandas de saúde. Nesse ambiente, Recife estruturou o “Fale com sua equipe”, canal institucional de acolhimento digital da demanda espontânea, com direcionamento para a equipe de referência e organização do atendimento no cotidiano das unidades. 

Outro destaque é o agendamento digital integrado ao e-SUS APS, que permite marcação de consultas e procedimentos a partir da agenda oficial das equipes, exigindo ajustes nos processos de trabalho para adequar a oferta e a organização das agendas conforme a demanda local. 

Coordenação do cuidado: prontuário em rede e interoperabilidade 
O episódio apresenta ainda o Prontuário em Rede / Minha Saúde Conectada, sustentado por um barramento municipal de interoperabilidade que integra informações da APS, atenção hospitalar, regulação e vigilância em saúde, com acesso para profissionais e cidadãos. Histórico clínico, exames, encaminhamentos e altas hospitalares ficam disponíveis para continuidade do cuidado, reduzindo duplicidades, deslocamentos desnecessários e fragmentação da atenção. 

Automação, IA e arranjos institucionais 
Gustavo aborda também iniciativas relacionadas a dados e IA, como o Integra.AI, assistente acoplado ao prontuário que apoia a decisão clínica, qualifica encaminhamentos para a regulação e amplia o uso de teleconsultoria e teleinterconsulta. A experiência inclui ainda modelos preditivos para redução do absenteísmo e melhor organização das agendas. 

O entrevistado destaca arranjos que sustentam essas ações, incluindo o papel da empresa pública de tecnologia, parcerias com startups via marco legal de inovação, cooperação com universidades e investimentos em infraestrutura, interoperabilidade, segurança da informação e capacitação permanente. O conjunto é apresentado como um processo em desenvolvimento contínuo, apoiado por múltiplas formas de parceria e integração entre saúde, tecnologia e gestão pública. 

Confira a entrevista completa

A série é uma realização do Observatório do SUS (ENSP/Fiocruz), em parceria com o projeto “Implicações das Tecnologias Digitais nos Sistemas e Serviços de Saúde”, da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030, vinculada à Presidência da Fiocruz por meio da Iniciativa Saúde Amanhã. 

As análises, avaliações e opiniões apresentadas são de responsabilidade exclusiva dos entrevistados e não expressam, necessariamente, a posição do Observatório do SUS (ENSP/Fiocruz) ou das instituições parceiras. 

A produção da série conta com recursos de emenda parlamentar da deputada federal Talíria Petrone.

Por Júlia da Matta e Gustavo Soibelman


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