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Rio de Janeiro cria núcleo de inteligência assistencial para qualificar o cuidado na Atenção Primária do SUS

Por Observatório do SUS

No 6º e último episódio da série “Uso de Tecnologias Digitais no SUS: experiências e lições aprendidas”, que reúne entrevistas com gestoras e gestores municipais e apresenta experiências concretas de saúde digital no SUS, em municípios das cinco macrorregiões brasileiras, o destaque é a experiência do Rio de Janeiro (RJ). 

Neste episódio, conhecemos a experiência do Rio de Janeiro (RJ) a partir da entrevista com Larissa Terrezo, superintendente de Atenção Primária da Secretaria Municipal de Saúde. A conversa apresenta a criação, em 2025, de um núcleo de inteligência assistencial voltado a utilizar dados e tecnologias para apoiar a melhoria da qualidade do cuidado na Atenção Primária. 

Quando a gestão vira aliada do cuidado 

A iniciativa parte do entendimento de que a gestão não se limita ao monitoramento e à avaliação: ela pode atuar como parceira direta da assistência, apoiando equipes e unidades na identificação de lacunas e na organização de linhas de cuidado prioritárias. O núcleo reúne profissionais da saúde e especialistas em ciência e engenharia de dados, com foco na criação de ferramentas que ajudem a tornar o cuidado mais oportuno, integrado e consistente. 

Entre os eixos de trabalho mencionados estão o monitoramento de linhas de cuidado com listas nominais, a perspectiva de análises preditivas para antecipar riscos e apoiar intervenções, a interoperabilidade entre os múltiplos sistemas usados no cotidiano da Atenção Primária, e o desenvolvimento de soluções que incluam inteligência artificial para qualificar solicitações e apoiar processos como a regulação ambulatorial. 

Monitor da Gestante Carioca: dados integrados em um único painel 

Um dos primeiros produtos do núcleo já em uso é o Monitor da Gestante Carioca, um painel que reúne, em um só lugar, informações que antes estavam fragmentadas em diferentes bases e sistemas. O monitor integra dados da Atenção Primária, da urgência e emergência, das maternidades, de sistemas de regulação e de bancos laboratoriais, permitindo acompanhar gestantes em tempo mais próximo do real e identificar lacunas de cuidado que precisam ser sanadas. 

Na prática, a ferramenta apoia equipes e gestores ao sinalizar situações que exigem atenção, como a necessidade de encaminhamento para atenção especializada quando indicada, ou cuidados preventivos importantes em grupos de risco, favorecendo intervenções no momento oportuno. A proposta é que o monitor funcione como um apoio contínuo à gestão e à assistência, permitindo acompanhar também o impacto de ajustes e melhorias ao longo do tempo. 

Próximos passos e desafios 

A entrevista indica ainda o desenvolvimento de novos monitores para condições crônicas (como hipertensão, diabetes e multimorbidades), além de acompanhamento em tempo real de agravos como tuberculose. Entre os desafios relatados, aparecem a necessidade de ampliar recursos e equipe, além de questões estruturais relacionadas aos dados, como padronização, disponibilidade em tempo oportuno e integração entre sistemas, inclusive pela ausência de identificadores únicos consistentes em diferentes bases. 

A série é uma realização do Observatório do SUS (ENSP/Fiocruz), em parceria com o projeto “Implicações das Tecnologias Digitais nos Sistemas e Serviços de Saúde”, da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030, vinculada à Presidência da Fiocruz por meio da Iniciativa Saúde Amanhã. 

As análises, avaliações e opiniões apresentadas são de responsabilidade exclusiva dos entrevistados e não expressam, necessariamente, a posição do Observatório do SUS (ENSP/Fiocruz) ou das instituições parceiras. 

A produção da série conta com recursos de emenda parlamentar da deputada federal Talíria Petrone.

Por Júlia da Matta e Gustavo Soibelman


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