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Vila Velha fortalece o acesso à Atenção Primária com telessaúde integrada ao e-SUS

Por Observatório do SUS

Vila Velha (ES) é o foco do 5º episódio da série “Uso de Tecnologias Digitais no SUS: experiências e lições aprendidas”, que reúne entrevistas com gestoras e gestores municipais e apresenta experiências concretas de saúde digital no SUS, em municípios das cinco macrorregiões brasileiras. 

Neste episódio, a série destaca a experiência de Vila Velha (ES) em entrevista com Raquel Diniz, gerente de Planejamento e Projetos da Secretaria Municipal de Saúde. A conversa apresenta a implantação de uma estratégia de telessaúde na Atenção Primária, estruturada para ampliar o acesso da população a atendimentos clínicos e, ao mesmo tempo, preservar a lógica territorial e a continuidade do cuidado. 

Uma nova porta de acesso, conectada ao cuidado no território 

A iniciativa foi organizada para funcionar como mais uma porta de entrada para usuários do município, com atendimento remoto em horário ampliado (segunda a sexta-feira, das 8h às 20h). A proposta busca reduzir barreiras de acesso e ajudar a organizar parte das demandas que frequentemente pressionam as unidades de saúde, sem substituir o atendimento presencial, que permanece fundamental para muitas necessidades assistenciais. 

Um ponto central da experiência é a integração ao prontuário eletrônico do e-SUS APS (PEC). As teleconsultas são registradas no prontuário, o que permite que a equipe da unidade de referência tenha acesso ao que foi realizado no atendimento remoto, apoiando a continuidade do cuidado e o acompanhamento ao longo do tempo. 

Organização do serviço e apoio ao usuário 

A telessaúde foi estruturada com equipe escalada em uma central de atendimento, com oferta regular de consultas e canais de acesso digital. Além dos atendimentos clínicos, a experiência inclui suporte para orientar o usuário sobre fluxos do cuidado, encaminhamentos e demandas administrativas associadas ao atendimento. Em situações que demandem avaliação presencial ou atenção imediata, a rede assistencial é acionada conforme os fluxos do município. 

A implantação também incluiu ações de orientação para profissionais que ingressam no serviço, com capacitação para o uso dos sistemas e para o atendimento na lógica do programa. 

Monitoramento de indicadores e escuta do cidadão 

A experiência apresenta um componente relevante de monitoramento e avaliação, com acompanhamento de adesão, absenteísmo e satisfação do usuário por meio de instrumentos de avaliação pós-atendimento. Esse tipo de acompanhamento, associado à integração ao prontuário eletrônico, contribui para ajustes no serviço e para o planejamento de melhorias. 

A entrevista também aponta a importância de pensar caminhos para ampliar o acesso de públicos com maiores barreiras digitais, tema recorrente quando se discute saúde digital no SUS, e de manter estratégias de comunicação e apoio ao usuário para facilitar o uso das ferramentas. 

Participação social e perspectivas de aprimoramento 

Segundo a entrevistada, a iniciativa tem sido discutida com o Conselho Municipal de Saúde e aparece como tema no debate sobre planejamento do município. Entre as perspectivas apresentadas estão aprimoramentos e expansão gradual, mantendo a telessaúde como complemento ao cuidado presencial e articulada às rotinas da Atenção Primária. 

Confira a entrevista completa

A série é uma realização do Observatório do SUS (ENSP/Fiocruz), em parceria com o projeto “Implicações das Tecnologias Digitais nos Sistemas e Serviços de Saúde”, da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030, vinculada à Presidência da Fiocruz por meio da Iniciativa Saúde Amanhã. 

As análises, avaliações e opiniões apresentadas são de responsabilidade exclusiva dos entrevistados e não expressam, necessariamente, a posição do Observatório do SUS (ENSP/Fiocruz) ou das instituições parceiras. 

A produção da série conta com recursos de emenda parlamentar da deputada federal Talíria Petrone.

Por Júlia da Matta e Gustavo Soibelman


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